
1. O que o mundo pensa: Os críticos dizem que a Bíblia é para os alienados. Karl
Marx, que era judeu, criou uma frase célebre: "A Religião é o ópio do povo", comparando a
fé ao uso desta droga que produz euforia e, com o uso freqüente, leva a decadência física e
intelectual. Muitas vezes, o cristão é acusado de assassinar a sua mente. O preconceito é
grande, mas maior ainda é a ignorância que as pessoas têm sobre Deus. A verdade é que o
mundo não pensa em Deus.
O químico e biólogo francês Louis Pasteur disse: "Um pouco de ciência nos afasta de
Deus. Muito, nos aproxima." Eu acho essa afirmação incrível! A pouca ciência que temos
contato quando estamos sentados nas salas de aula, principalmente quando entramos na
faculdade, nos faz sentir que estamos acima da média, que somos especiais, que não
precisamos de um relacionamento com Deus. Afinal de contas, Deus é para os fracos e
sentimos que nós é que somos deuses!!!
Quando o homem chega a questões sem respostas, depois de estudar exaustivamente,
e reconhece que as teorias, por mais elaboradas que sejam, estão cheias de falhas, tendo um
mínimo de humildade diante dos infinitos mistérios e encantos da criação de Deus, acaba
chegando à conclusão que Deus existe!
Como o sábio escreve em Eclesiastes 3:11: "Ele (Deus) nos deu o desejo de entender as
coisas que já aconteceram e as que ainda vão acontecer, porém não nos deixa compreender
completamente o que ele faz."
Nunca conheci alguém que se tornou ateu após um profundo estudo das Escrituras
Sagradas. Alguns escolhem o caminho ateísta por decepções com o mundo religioso ou por
não ter encontrado Deus em sua busca. Mesmo esses erram em seu julgamento, pois a Bíblia
deixa bem claro como é a Igreja Verdadeira. Se a denominação que esta pessoa freqüenta está
fora deste padrão bíblico, então a responsabilidade é dos homens, inclusive dele mesmo e não
de Deus.
2. A Bíblia nos faz pensar: Contrariando Marx, a Bíblia incentiva o homem, desde o
Antigo Testamento, a estudar e exercitar sua inteligência. Por exemplo, em Deuterônomio
4:32, Moisés exorta o povo: "Estudem o passado, toda a história desde a criação da
humanidade. Caminhem pelo mundo inteiro e perguntem se alguém já viu ou ouviu falar de
haver acontecido coisa tão impressionante como esta."
Estudar a história, ao contrário do que muitos pensam, nos ajuda a entender os planos
de Deus. Principalmente para aumentar muito mais nossa compreensão dos seus textos se
entendemos o contexto histórico da Bíblia. A Bíblia não é um livro de história, é um livro de
fé. Porém ela nunca entrou em contradição com os acontecimentos registrados pela história.
Só para dar um exemplo, os judeus sempre se caracterizaram pelo zelo às tradições e,
mesmo durante todos os períodos de cativeiro, nunca permitiram a tradução da Bíblia para
outra língua. Porém, com as conquistas de Alexandre Magno (330 a.C.) e a helenização de
todo o mundo antigo, a língua grega se popularizou a tal ponto que se tornou necessária uma
tradução da Bíblia para o grego, a Septuaginta (LXX). Com essa tradução, não só os judeus
tinham acesso às Escrituras Sagradas, mas a grande maioria do mundo antigo, preparando o
mundo para a vinda de Jesus Cristo.
Jesus veio, primeiramente, aos judeus. No entanto, ordenou à sua Igreja que fosse a
todos os povos do mundo. E quando esses povos, que não eram judeus e que não entendiam o
hebraico nem o aramaico, ouviram pela primeira vez o Evangelho, tiveram a oportunidade de
conferir nas Escrituras Sagradas a veracidade dessa mensagem, como em Beréia - Atos 17:10-
12. Não foi coincidência! Foi a mão de Deus na história possibilitando cada pessoa, naquela
época, tivesse a oportunidade de conhecê-lo verdadeiramente.
Jesus ensina isso inclusive no maior de todos os mandamentos: amar a Deus com toda
a inteligência (Marcos 10:27). Paulo, ao escrever a Timóteo, diz "eu sei em quem tenho crido"
(2 Timóteo 1:12) e eu poderia colocar aqui várias Escrituras em que se incentiva o uso da
inteligência.
Paulo mostra claramente que, quando pregou para o povo de Atenas, não era um
homem de mente fechada dentro de uma seita fanática. Além de ser um homem de Deus,
tinha uma cultura geral muito rica. Em seu discurso, com intuito de convencer os atenienses,
ele cita poetas gregos da época:‘"Porque "nele vivemos, nos movemos e existimos". É como
alguns poetas de vocês também disseram: "Nós também somos filhos dele."’ (Atos 17:28).
Paulo tinha sido criticado por adeptos de duas linhas filosóficas da época, os estóicos
e os epicureus. Desde aquela época, os intelectuais taxavam os cristãos de ignorantes. E, para
convencer esses homens cultos no conhecimento humano, mas leigos na fé, Paulo cita
primeiramente Cleanthes, um estóico, do século III a.C. em seu Hino a Zeus e em seguida o
poema "Fenômenos" de Arato, também da mesma época.
Paulo era tudo para todos (I Coríntios 9:22) e aqui ele usa até escritores profanos para
ganhar o coração dos atenienses, um povo idólatra, mas que buscava a Deus. Este exemplo
nos chama a dar mais em nosso esforço de conhecer não somente mais a Bíblia, mas tudo
aquilo que for necessário para ajudarmos aos outros a conhecer a Deus.
Que a Bíblia te ajude a pensar os pensamentos de Deus!
(Francisco André Gomes)
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